Erasmo Carlos e os Tremendões
Posted by Niggas | Filed under Álbuns

Repostagem do antigo site do Vinil é Arte
Com o final dos anos 60, a inocência nas letras e na postura da maioria dos artistas do movimento Jovem Guarda, dá lugar a uma busca por uma nova proposta musical. Mesmo fora do país a “música jovem” entra em um período de fecunda transformação contemporânea, tendo como expoentes trabalhos como Pet Sounds (Beach Boys) e o Sgt. Peppers (Beatles), a bandeira estética do Tropicalismo já havia sido hasteada nas paradas de sucesso. Roberto Carlos era Rei e guitarras já soavam nos auditórios dos festivais.
A música brasileira em 1969 havia sido despida de seu pudor nacionalista e no mesmo período Erasmo gravava seu último disco pela RGE. Lançado em 1970, é um disco que sem dúvida reflete uma maturidade marcante na carreira do “Tremendão”. Os grandes hits românticos ganham corpo com arranjos elaborados e letras reflexivas. As guitarras dos Tremendões (banda que acompanha Erasmo), aparecem mais sutis na mixagem do disco, dividindo espaço com as orquestrações do Maestro Chiquinho de Moraes.
“Estou dez anos atrasado”, música de refrão homônimo, é o único Rock do disco e vem incorporada com pesado naipe de metais, percussão e belos backing vocals; sem dúvida uma música de festa. Flautas, teclados e cordas passeiam suaves pela segunda faixa intitulada: “Gloriosa”. “Espuma Congelada” (a faixa seguinte) até tem seu momento Blues, mas cai num trapézio de melodias dignas de um George Martin; a letra da música é uma viagem à parte. Também com uma interessante letra, “Teletema” é uma música que começa com um clima de Jazz e tem seu momento Beach Boys graças a um competente coro e construção do arranjo. “Jeep” me lembra Caetano em seu disco de estréia, apesar de ter uma roupagem Black, que me remete a Stevie Wonder. O lado fecha com “sentado à beira do caminho”, uma faixa que cabe como uma luva no termo “música de trabalho”.
O lado B começa com um som que por si próprio justifica a importância desse LP 36 anos após o seu lançamento: “Coqueiro Verde” é uma referência quando o assunto é Samba-Rock. O swing dessa música é um convite pra se acabar na pista. Não é à toa que o Trio Mocotó regravou e, mais recentemente, Matolli incorporou ao repertório de seu “Clube do Balanço”. “Não Identificado” pra mim é uma das músicas mais completas de Caetano Veloso; a regravação é uma referência clara à adesão de Erasmo as mudanças da música popular da época. “Aquarela do Brasil” não entra à toa nesse disco, afinal, Erasmo era criticado por sua postura dita alienada ou por incorporar influências de música estrangeira. “Bronca da Galinha” é a grande surpresa do disco. É uma faixa instrumental que remete a um jovem Kool And The Gang; o som é pesado, cheio de groove e com um zangado naipe de metais, com destaque para os solos acompanhados por palmas. Chegamos ao fim da bolacha com a suave balada “Menina”… que, bem, fica sem comentários.
Um disco viajante com momentos intensos. Disco de ruptura que comunga com o Soul, o swing e o psicodelismo em uma época de repressão e explosão cultural.
01 Estou dez anos atrasado
02 Gloriosa
03 Espuma congelada
04Teletema
05 Jeep
06 Sentado à beira do caminho
07 Coqueiro verde
08 Saudosismo
09 Aquarela do Brasil
10 A bronca da galinha (Porque viu o galo com outra)
11 Menina
12 Vou ficar nú para chamar sua atenção
Baurets
Tags: Carlos, Erasmo, jovem guarda, tremendões
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